Gentem, voltei! 2 de julho foi meu último dia de trabalho antes das férias. E já no sábado, dia 3 (véspera do meu níver), viajei para Recife, onde estou hoje. E férias com criança, vocês sabem, é sinônimo de epopéia, né? Uma só não...várias. A primeira eu conto agora e foi, é claro, no aeroporto.
A neblina foi a responsável pelo fechamento de Cumbica na manhã (ou madrugada, não sei bem...) do sábado, dia do meu vôo, que inicialmente estava marcado para as 13:40. Como a manhã foi corrida, não acessei internet, nem vi televisão. Chegando ao aeroporto, com um bom tempo de antecedência, não estranhei a lotação, tendo em vista que julho é mês de todo mundo viajar. Fizemos o check-in e a mocinha da Gol não falou nada. Também não me dei ao trabalho de olhar o painel dos vôos e, portanto, estava completamente por fora do caos que me esperava.
Um detalhe interessante no meio disso tudo: somente eu e as crianças embarcaríamos. Miguel só iria viajar 10 dias depois. Achei que dava conta de arrastar malas, subir/descer de avião e cuidar de duas crianças de 5 anos. Nada de mais! Porém a Lei de Murphy entrou em ação e todas as zebras cruzaram meu caminho.
Entrei na sala de embarque com Léo e Alice, levando minha bolsa e mais uma pequena mala de mão contendo: dois travesseiros pequenos, dois lençóis de bebê (às vezes as crianças dormem e gosto de ter um lençolzinho à mão, mas não os utilizei nesse vôo, infelizmente), um laptop, uma máquina fotográfica, algumas guloseimas (biscoito, suquinho, salgadinho...mãe prevenida...hehehe), livrinhos de pintar e algumas canetinhas/lápis de cor. E, é claro, as duas malinhas sem alça...uma de cada lado. O pai, livre para voar, deu as costas e se foi. E lá fomos nós...
A sala de embarque parecia, tipo, um campo de concentração. Absolutamente lotada...gente em pé e sentada (nas cadeiras e no chão). E muitas, muitas crianças. Continuei achando que era normal, por causa das férias. Aí Miguel me liga dizendo que os vôos estavam todos atrasados. Quem teria que embarcar às 10 da manhã ainda estava esperando. Eram umas 13:15. Desliguei o telefone e olhei para minhas pobres crianças, antevendo o que me esperava. Ai, ai, ai...
Resolvemos sentar no chão, encostados à parede. Não foi fácil achar um espacinho..acredite! O negócio estava concorrido...foi sorte conseguirmos um lugar...Meus filhotes, de início, ficaram quietinhos...deitaram no meu colo. E logo eu não sentia mais nada da cintura pra baixo. Os pés estavam dormentes (sabe quando fica formigando e você nem consegue tocar???). Aí Léo levantou e perguntou se ainda ia demorar muito. Falei que sim e sugeri que eles tentassem ler as inúmeras informações disponíveis na sala de embarque, para testar a nova habilidade (sim, meus pitchucos já estão lendo tudo!!!). Eles levantaram, animados, e começaram a ler tudo: "De-vas-sa cer-ve-ja-ria"; por-tão de em-bar-que 7"...aí eu li uma plaquinha que dizia "Wifi Infraero". E lembrei que estava com o laptop na mala de mão. Carregado! "Vamos entrar na internet", pensei. Liguei o danado, tentei conectá-lo e nada! Mais uma tentativa...nada! !@#$%¨&*. Léo se frustrou. Já estava sonhando com o site do Cartoon Network. Uma lástima...Alice pediu, então, pra jogar Paciência Spider. Abri o joguinho pra ela, e Léo continuou tentando ler alguma coisa. Logo ela cansou...e Léo também. Saquei da mala os livrinhos e as canetinhas. Não consegui mais do que uns 7 minutos de paz. Aí apelei para as guloseimas: uns 11 minutos de sossego. As indagações e sentenças se multiplicaram: "Mãe, tô cansada". "Mãe, quero ir pra casa". "Mãe, Vovô tá esperando a gente? Ele vai cansar e vai embora". "Mãe, quando a gente chegar em Recife já vai estar de noite?". Ai, meu saquinho...E agora??? A essa altura já eram umas 15:00, quando o alto-falante informa que nosso embarque iniciaria em 15 minutos. Euforia geral!!! Léo já tinha decorado o número do vôo e cada vez que a moça da Gol começava a falar, ele ficava atento, esperando ela dizer o 1666, com destino a Recife. Ahahahahaha...tadinho!!!
O início do embarque demorou um pouco mais...e novamente apelei pra tecnologia, que de novo me faltou. A TV do meu Samsung Star não tinha sinal...!@#$%¨&*. Tentei o rádio. Ufa! 89 FM!!! Saquei o fone de ouvido e entreguei para os dois. Cada um pegou um fone e colocou numa orelha. Daqui a pouco estavam dançando timidamente ao som de Rihanna. Depois Black Eyed Peas...e em seguida Justin Bieber...Kesha...Lady Gaga...A diversão durou uns 15 minutos, até que nos chamaram pra embarcar.
E adivinha??? Tínhamos que pegar o raio do microônibus pra chegar ao avião. Acho que em 5 anos que moro em SP, foi a primeira vez que não usamos a plataforma pra chegar ao avião. Depois desse tempo todo, pensa o que foi subir aqueles degraus com uma das mãos ocupadas e arrastando Léo e Alice. Ele, é claro, se enfurnou atrás da última cadeira e se deitou. Por alguns segundos o perdi de vista e quase entro em pânico. Aí ele se levanta, olha pra mim e fala "tcharam...te peguei, Mamãe". Eu ri. Alice, como sempre, não largava da minha mão um só instante.
Entramos no bendito avião, que decolou mais ou menos às 17 horas. Nesse horário eu devia estar chegando a Recife.
O vôo...bem...os gêmeos Leonardo e Alice conseguiram ter vontade de ir a banheiro duas vezes cada um, e AO MESMO TEMPO. Quando dava vontada em um, dava no outro. Na primeira vez, o serviço de bordo estava rolando. Um carrinho em cada extremidade do corredor. Por onde passar? Pedi licença ao comissário para tentar chegar ao banheiro com os dois. Ele olhou pra mim e disse que eu aguardasse ele terminar de atender um passageiro. Olhei pra ele e falei que tudo bem, mas que talvez meu filhote fizesse xixi nas calças até que ele pudesse encher o copinho descartável com Kuat light. Ele me fuzilou com os olhos, deu ré no carrinho e eu corri com os dois... Na segunda vez Léo disse que precisava fazer o "número 2". Alguém merece???? Vocês têm alguma noção do que é estar dentro de um banheiro de avião com 2 crianças, sendo que uma está na privada e a outra está mexendo no lixo (ou no papel higiênico, ou enchendo e secando a pia)??????????? E você não tem a mínima noção de como o seu traseiro está cabendo ali??? Sim, porque você está na posição em que Napoleão perdeu a guerra, tentando limpar um bumbum, sabe? Então...Desenvolve a cena.
Chegando a Recife, adivinha? Microônibus de novo!!! Putz!!! Eu já tava pedindo clemência a Deus por todos os pecados cometidos até ali. Pedindo a Ele pra zerar o saldo de mal-feitos e começar de novo...sem mágoas. Léo fez o percurso pendurado nas alças de apoio do ônibus. E Alice segurando minha mão. Santinha!!
Well...cheguei viva. No desembarque, os pequenos correram para encontrar os avós e lá fui eu resgatar 3 malas da esteira de nº 2. A mala maior me cabe dentro, pra vocês terem uma idéia. A média estava cheia de sapatos. E a cor de rosa veio lotada com as coisas da minha princesa. Consegui pegar as duas menores com facilidade. Moleza. Já a mala grande acertou meu pezinho, quando a arrastei pro chão. O roxo ainda não sumiu, apesar das camadas diárias de Hirodóide. !@#$%¨&*.
Felizmente, meu mal-humor foi embora quando senti o calorzinho de 28 graus.
Um beijo pra vocês.
PS.: Esqueci de contar que a espera no aeroporto, antes da entrada na sala de embarque, foi aplacada pela esfuziante e espetacular vitória (arrasadora) da Alemanha em cima de Maradona & Los Hermanos. Tem coisa melhor?
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