
FOTO: Alberto Takaoka/FotoRepórter/AE - Marginal Pinheiros alagada após chuva próximo a ponte Cidade Jardim, em São Paulo. 26/01/2010 (olha a Torre lá no fundo...)
Essa foi uma epopeia e tanto. Aconteceu dia 3 de dezembro do ano passado. Desculpem pela narrativa extensa, mas não tem como ser diferente :-)
"Não tenho como me esquivar de escrever de novo...Uma tarde/noite como a de ontem não pode ser jamais esquecida...Acho que para uma parte das pessoas que estão aqui na Torre, ontem foi a primeira vez que enfrentaram o trânsito caótico de São Paulo na volta pra casa, depois de um toró de grandes proporções...Eu inclusive! O que foi aquela chuva, minha gente???
Uns 200 quilômetros de engarrafamento, eu acho. E justo na nossa primeira semana à beira da Marginal...Que semana movimentada, hein?! Já não bastassem todos os impactos da nossa mudança para a Torre, nesses 5 dias experimentei situações que me fizeram crescer como pessoa e também dar muitas, muitas risadas. Ontem, apesar da TREVA instalada, me diverti muitíssimo com minhas amigas Liliane e Carlinha (de Consignado). Sofremos, não há como negar, mas rimos pra valer...
Desci com Carlinha às 5:10 para pegar o fretado das 5:30. O ponto de espera estava apinhado de gente com seus guarda-chuvas armados (estava chovendo fraco...). Logo soubemos que o fretado das 4:30 ainda não havia chegado e que os demais (via Sumaré, Conceição e Pirituba) estavam em locais incertos e não sabidos. Havia um moço simpático da Osastur tentando, via celular, obter notícias dos ônibus. Depois de alguns minutos, soubemos que os motoristas estavam no engarrafamento (dã! É claro, né?) tentando chegar ao ponto, porém sem sucesso...Incrível a visão: para todo lado que a gente olhava, o trânsito estava completamente parado. Só os motoboys conseguiam se movimentar...e com aquele riso irônico por baixo do capacete, olhando pra gente e se gabando da mobilidade. Ódio!!! Por um momento desejei uma Daphra. Ou uma Mobilete...e um capacete rosa, escrito “Penélope Charmosa”...
Continuamos esperando até que o moço da Osastur nos trouxe a notícia que ninguém queria ouvir. Em outras palavras, ele disse: “É cada um por si e Deus por todos. Não temos previsão de quando os fretados chegarão aqui”.
Bom...o que fazer? Primeiramente pensei em um Jet-ski no rio bonito...era a maneira mais rápida de chegar em casa naquele momento. Ou pedir carona a algum helicóptero...Passados os primeiros instantes de desespero, resolvemos sair andando. O único trajeto não tomado pelos veículos era a Juscelino, sentido Ibirapuera. Incrível...como todos os carros do mundo estavam parados ou na Marginal ou na Bandeirantes (ou em todas as ruas e avenidas que alagaram...), esse lado da Juscelino estava inesperadamente livre, vazio...”É pra lá que vamos”, combinamos. “Um táxi, pelamordedeus...”, era tudo o que pensávamos. Andávamos, andávamos, e nada de táxi. Lá pra depois da Rua João Cachoeira (bem depois...), resolvemos entrar numa rua pra tentar chegar à Av. Santo Amaro. Só aí conseguimos o táxi salvador. O motorista era bipolar....ahahah...ele não parava de falar um só segundo...nem parava pra respirar. No começo a gente engatou um papo, mas depois ficou chato! Enfim, foi mais um detalhe da nossa volta pra casa. O importante é que conseguimos chegar em casa. Às 20:30 as meninas desceram no metrô Santa Cruz e eu segui no táxi pra casa.
Há pouco, depois do café coletivo no 1º andar, descobrimos, eu, Lili e Carlinha, que a nossa história nem de longe foi a mais traumática (ou engraçada) da noite de ontem. Por isso estou lançando uma enquete: “Como você chegou em casa ontem???” Mandem um resumo pra mim. Vou compilar todas as histórias e podemos instituir alguns
troféus:
a) A Chegada Mais Rápida – Quem, por alguma intervenção divina, demorou uns 45 minutos pra chegar em casa.
b) A Chegada Mais Molhada – Quem enfrentou a fúria das águas, dentro ou fora de algum veículo.
c) A Chegada Mais Divertida – Quem riu mais do que sofreu na volta pra casa.
d) A Chegada Mais Demorada – Tipo, alguém só chegou em casa hoje de madrugada? Ahahahahah...espero que não, mas tem troféu pra esse cristão também!
e) A Chegada Que Nunca Chegou – Cadê o Padovani? Acho que esse troféu vai pra ele. Ah, ele acabou de chegar...
Por fim, listei alguns itens/dicas básicas indispensáveis na volta pra casa, em uma noite de TREVA como a de ontem. É sério, são imprescindíveis:
- Procure voltar pra casa com um(a) pessoa querido(a) -> Eu, mais do que ninguém, senti na pele a importância disso ontem. A gente se sente mais seguro, inclusive para tomar decisões importantes.
- Guarda-chuva, sempre -> E por favor, que esteja em bom estado de conservação. Ontem, passou um mocinho pela gente com um guarda-chuva preto que parecia ter sido atingido por um raio. Um mico, gente!
- Mantenha algum “snack” na bolsa para as horas de fome -> Liliane, coitada, deve ter chegado em casa quase desmaiando...
- Leve sempre consigo um saco plástico, tipo aqueles de supermercado, pra proteger a chapinha -> Sério, essa foi a melhor parte da noite. Tipo, impagável! Uma moça toda arrumada, falando ao celular (via fone de ouvido), com a cabeça totalmente protegida por um saco plástico amarelo gema de ovo (ela até arrumou as alças do saco pra dentro e ficou realmente parecendo uma touca). Ela andava e não estava nem aí pro movimento. A gente riu de dar dor na barriga...Não...imagina a cena!
- Rasteirinhas, por favor -> Pelo tanto de quilômetros que a gente andou ontem, se eu tivesse de salto não sei o que seria dos meus pés. Agora sempre as trago na bolsa. Homens não sofrem desse mal...bom pra eles!
- Celular sempre carregado -> Sem celular eu estaria perdida. É bom, inclusive, ter um carregador permanentemente na bolsa.
- Um pouco de dinheiro na carteira -> Para eventualidades. Tipo, comprar um saco plástico pra colocar na cabeça, se a chuva começar de repente...ahahahahah
Um beijo e até a próxima enchente."
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